Produzido por:
Alex-Sandro Pinheiro Cardoso
Dulcemari Ruviario
Marisete dal Bello
RESUMO
Este artigo tem por objetivo questionar as práticas educativas vivenciadas pelos educadores do século XXI e sinalizar algumas preposições de mudanças na caracterização do educador como um novo líder. Líder este que possa trazer uma esperança de cultura integral para uma sociedade humanizadora dentro de um ensino reflexivo.
Palavras Chaves: educador – líder – educação – sociedade.
INTRODUÇÃO
O presente artigo busca abordar elementos reflexivos na concepção de um(a) educador(a) líder, questionando as novas posturas de liderança que atendem as exigências de um mundo em transformação.
Buscar-se-á realizar um ensaio reflexivo na postura de um líder educador-pesquisador, determinante e que acredite em algumas habilidades ao ensino reflexivo de um mundo contemporâneo.
Para concretizar o ensino reflexivo, segundo NÓVOA (1992, p.15-33), são necessárias algumas habilidades dentre elas destaca-se:
1º. “Habilidades empíricas: referem-se basicamente as capacidades necessárias aos procedimentos de sondagem e diagnóstico da escola e dos alunos (compilar dados, descrever situações, causas e efeitos, sentimentos e afetos), utilizando dados objetivos e subjetivos”.
2º. “Habilidades analíticas: referem-se aos procedimentos de análise de dados e conseqüente construção da teoria”.
3º. “Habilidades avaliativas: referem-se a emissão de julgamento de valor sobre os resultados obtidos por meio de projetos e suas conseqüências educativas”.
4º. “Habilidades estratégicas: referem-se ao planejamento e adequação das ações de acordo com a analise levada a efeito”.
5º. “Habilidades práticas: referem-se ao relacionamento entre a analise e a ação prática, adequação dos meios aos fins visando obter um resultado satisfatório”.
6º. “Habilidades de comunicação: referem-se ao processo de trabalho e reflexão realizados em grupo, favorecendo a comunicação e a socialização das idéias”.
Logo, ser um (a) líder educador (a) na realidade atual precisa “reunir” alguns elementos teórico-práticos para responder as transformações sócio-culturais sendo protagonistas de novos seres humanos.
Advém lembrar que este artigo, tem um caráter descritivo, interpretativo e bibliográfico. Busca ser um espaço de reflexão para todos os educadores no que tange o elemento da liderança.
EDUCADOR: LIDER OU COMANDANTE?
Viver nos dias atuais é tentar entender as relações que são marcadas por constantes sociais, econômicas, políticas, culturais, religiosas e tecnológicas que acenam para um novo ser humano.
Acredita-se que este novo ser humano irá exigir líderes mais preparados para exercer a missão de capacitar os novos protagonistas do novo milênio.
Discutir a liderança do educador requer reavaliar alguns pontos da estrutura organizacional da educação, pois tomamos como exemplo uma lei em especifico; aquela que diz que um aluno para passar de ano tem que no mínimo ter 75% de freqüência nas salas de aulas.
Segundo ALVEZ (2003, p. 192):
(...) Não importava que o aluno tivesse estudado por conta própria e que soubesse tudo. Qual a razão para tal lei? Respondem os burocratas: “Para garantir a qualidade de aprendizagem” (...) é óbvio que tal justificativa é falsa. A presença do aluno nas salas de aula não é garantia de aprendizagem. Especialmente se o professor for ruim (...)
Sendo assim, o educador deve refletir sobre seus feitos e suas atitudes em sua profissão, pois para ALVES a explicação é lógica:
(...) essa lei foi estabelecida para proteger os professores ruins. Com a lei eles sabem que, mesmo sendo ruins as suas aulas, terão um público cativo. Essa lei os salva da vergonha. Se não houvesse a dita lei, suas aulas ficariam as moscas (...)
ALVES (2003, p. 129)
Entretanto quando o educador busca a construção de uma liderança sadia, sem que esta esteja vinculada a leis que lhe garantam a autoridade máxima e que pode ser facilmente confundida com sistema ditatorial, podemos observar neste educador um comportamento claro de superação, pois para FERNANDES (2001, p.13)
“surge uma nova forma de liderar para atender às condições do novo milênio que exige líderes de sucesso, capazes de promover a evolução do Gênero Humano e o desenvolvimento, apesar das adversidades, dos perigos e das ameaças que se sucedem, em meio às mudanças velozes e surpreendentes entre catástrofes ecológicas e as dificuldades econômicas e sociais.”
Para tanto, é importante estar vigilante a todos os sinais de mudanças na vida dos povos, para com isto repensar, reeducar as nossas práticas educativas. Pois, para CURY (1998: p. 19):
(...) quem aprendeu a vivenciar a arte da dúvida e da crítica na sua trajetória existencial se posiciona como aprendiz diante da vida e, por isso, tem condições intelectuais de repensar seus paradigmas socioculturais e expandir continuamente suas idéias e maturidade psicossocial (...)
Todavia, estes novos paradigmas vão permeando um campo enorme de exigências no que tangem as áreas culturais da formação da consciência do ser humano.
Para FERNANDES (2001: p. 15), o líder educador precisa hoje:
(...) saber ser sensível e capaz de mudanças rápidas para estimular e orientar os liderados nas transformações sucessivas. Saber ver de forma global... e saber procurar em todo momento e situação, a dimensão espiritual dos seres, da vida, da natureza e dos fatores para que possa construir uma visão capaz de respaldar as ações que tenham um significado e sejam éticas (...)
É importante nos perguntar-mos se como líderes educadores estamos preparados para esta realidade? Como está a nossa formação continuada? Somos produtores de novos saberes? O que nos causa medo, angústia, nestas realidade – é o medo de perder o poder ou a dificuldade de nos reeducar-mos para um trabalho em equipe?
Para ACÚRCIO (2004: p. 77), cada vez mais são exigidos dos profissionais da educação, o uso e a aplicação de conhecimentos e de habilidades, como a capacidade de ação e de interação entre pessoas e equipes, de comunicação, de resolução de problemas.
Cabe, portanto, a necessidade de desenvolvermos a paixão pela pesquisa, pelo diferente, pelo inédito, dentro de um mundo tão repetido (igual).
O LÍDER É ATIVO?
Vejamos, manter-se em constante atividade é uma característica da educação, buscar refletir sobre o que lê e o que vê é ou deve ser prática de todo educando, pois conforme NACHMANOVITCH (1993: p. 101) nos acena para a arte que reside em não dar ao leitor(a) informações de mais ou de menos, mas a quantidade suficiente para catalizar a imaginação ativa. A melhor arte não é a que se apresenta numa bandeja de prata, mas a que desperta a capacidade do leitor para a ação.
Pergunta-se à você que está lendo neste momento este artigo, em que bandeja você está servindo os seus conhecimentos, experiências de vida aos seus alunos? Que aspectos contempla o “alimento” que está sendo degustado por esta comunidade? Está levando a uma nova vida ou para somente atender a interesses partidários, interesses pessoais? És portador de um novo amanhã? Em que mesas partilha os seus saberes?
Segundo WERNECK (2000: p. 39), no futuro sobreviverão os criativos; os repetitivos e copiadores serão engolidos pelas inéditas substituições de novas profissões, términos de emprego e adaptação ao imprevisível.
Oxalá que nossas práticas educativas não se tornem um espaço de morte ou “formação robótica”, mas um canteiro de desabrochar de talentos, potencialidades, novas lideranças. A humanidade necessita de Homens e Mulheres comprometidos com as questões ecológicas, humanas (sociais) de seus povos.
Para FREIRE (1998: p. 110), a educação é uma forma de intervenção no mundo. Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço da reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento.
Acredita-se que com isto estaremos sinalizando os nossos papeis de líderes na formação integral de um, povo mais solidário, humano, esperançoso e ousado para novas práticas de economia solidária, educação libertadora e uma sociedade aprendente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ACÚRCIO, Maria Rodrigues Borges. A gestão da Escola. Editora Artmed, Belo Horizonte, 2004.
CURY, Augusto Jorge. Inteligência Multifocal: análise da Construção dos Pensamentos e da formação de pensadores. Editora Pensamento – Cultrix, São Paulo, 1998.
FERNANDES, Maria Nilza de Oliveira. Líder-Educador: Novas formas de Gerenciamento. Editora Vozes, Petrópolis, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 7ª edição. Paz e Terra. São Paulo, 1998.
NACHMANOVITCH, Stephen. Ser criativo: o poder da improvisação na vida e na arte. São Paulo: Summus, 1993.
NÓVOA, António. Formação de Professores e Profissão Docente. In: NÓVOA, António. Os Professores e sua Formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote/Instituto de Inovação Educacional, 1992.
WERNECK, Hamilton. Ousadia de Pensar. Editora DP e A, Rio de Janeiro, 2000.
Alex-Sandro Pinheiro Cardoso
Dulcemari Ruviario
Marisete dal Bello
RESUMO
Este artigo tem por objetivo questionar as práticas educativas vivenciadas pelos educadores do século XXI e sinalizar algumas preposições de mudanças na caracterização do educador como um novo líder. Líder este que possa trazer uma esperança de cultura integral para uma sociedade humanizadora dentro de um ensino reflexivo.
Palavras Chaves: educador – líder – educação – sociedade.
INTRODUÇÃO
O presente artigo busca abordar elementos reflexivos na concepção de um(a) educador(a) líder, questionando as novas posturas de liderança que atendem as exigências de um mundo em transformação.
Buscar-se-á realizar um ensaio reflexivo na postura de um líder educador-pesquisador, determinante e que acredite em algumas habilidades ao ensino reflexivo de um mundo contemporâneo.
Para concretizar o ensino reflexivo, segundo NÓVOA (1992, p.15-33), são necessárias algumas habilidades dentre elas destaca-se:
1º. “Habilidades empíricas: referem-se basicamente as capacidades necessárias aos procedimentos de sondagem e diagnóstico da escola e dos alunos (compilar dados, descrever situações, causas e efeitos, sentimentos e afetos), utilizando dados objetivos e subjetivos”.
2º. “Habilidades analíticas: referem-se aos procedimentos de análise de dados e conseqüente construção da teoria”.
3º. “Habilidades avaliativas: referem-se a emissão de julgamento de valor sobre os resultados obtidos por meio de projetos e suas conseqüências educativas”.
4º. “Habilidades estratégicas: referem-se ao planejamento e adequação das ações de acordo com a analise levada a efeito”.
5º. “Habilidades práticas: referem-se ao relacionamento entre a analise e a ação prática, adequação dos meios aos fins visando obter um resultado satisfatório”.
6º. “Habilidades de comunicação: referem-se ao processo de trabalho e reflexão realizados em grupo, favorecendo a comunicação e a socialização das idéias”.
Logo, ser um (a) líder educador (a) na realidade atual precisa “reunir” alguns elementos teórico-práticos para responder as transformações sócio-culturais sendo protagonistas de novos seres humanos.
Advém lembrar que este artigo, tem um caráter descritivo, interpretativo e bibliográfico. Busca ser um espaço de reflexão para todos os educadores no que tange o elemento da liderança.
EDUCADOR: LIDER OU COMANDANTE?
Viver nos dias atuais é tentar entender as relações que são marcadas por constantes sociais, econômicas, políticas, culturais, religiosas e tecnológicas que acenam para um novo ser humano.
Acredita-se que este novo ser humano irá exigir líderes mais preparados para exercer a missão de capacitar os novos protagonistas do novo milênio.
Discutir a liderança do educador requer reavaliar alguns pontos da estrutura organizacional da educação, pois tomamos como exemplo uma lei em especifico; aquela que diz que um aluno para passar de ano tem que no mínimo ter 75% de freqüência nas salas de aulas.
Segundo ALVEZ (2003, p. 192):
(...) Não importava que o aluno tivesse estudado por conta própria e que soubesse tudo. Qual a razão para tal lei? Respondem os burocratas: “Para garantir a qualidade de aprendizagem” (...) é óbvio que tal justificativa é falsa. A presença do aluno nas salas de aula não é garantia de aprendizagem. Especialmente se o professor for ruim (...)
Sendo assim, o educador deve refletir sobre seus feitos e suas atitudes em sua profissão, pois para ALVES a explicação é lógica:
(...) essa lei foi estabelecida para proteger os professores ruins. Com a lei eles sabem que, mesmo sendo ruins as suas aulas, terão um público cativo. Essa lei os salva da vergonha. Se não houvesse a dita lei, suas aulas ficariam as moscas (...)
ALVES (2003, p. 129)
Entretanto quando o educador busca a construção de uma liderança sadia, sem que esta esteja vinculada a leis que lhe garantam a autoridade máxima e que pode ser facilmente confundida com sistema ditatorial, podemos observar neste educador um comportamento claro de superação, pois para FERNANDES (2001, p.13)
“surge uma nova forma de liderar para atender às condições do novo milênio que exige líderes de sucesso, capazes de promover a evolução do Gênero Humano e o desenvolvimento, apesar das adversidades, dos perigos e das ameaças que se sucedem, em meio às mudanças velozes e surpreendentes entre catástrofes ecológicas e as dificuldades econômicas e sociais.”
Para tanto, é importante estar vigilante a todos os sinais de mudanças na vida dos povos, para com isto repensar, reeducar as nossas práticas educativas. Pois, para CURY (1998: p. 19):
(...) quem aprendeu a vivenciar a arte da dúvida e da crítica na sua trajetória existencial se posiciona como aprendiz diante da vida e, por isso, tem condições intelectuais de repensar seus paradigmas socioculturais e expandir continuamente suas idéias e maturidade psicossocial (...)
Todavia, estes novos paradigmas vão permeando um campo enorme de exigências no que tangem as áreas culturais da formação da consciência do ser humano.
Para FERNANDES (2001: p. 15), o líder educador precisa hoje:
(...) saber ser sensível e capaz de mudanças rápidas para estimular e orientar os liderados nas transformações sucessivas. Saber ver de forma global... e saber procurar em todo momento e situação, a dimensão espiritual dos seres, da vida, da natureza e dos fatores para que possa construir uma visão capaz de respaldar as ações que tenham um significado e sejam éticas (...)
É importante nos perguntar-mos se como líderes educadores estamos preparados para esta realidade? Como está a nossa formação continuada? Somos produtores de novos saberes? O que nos causa medo, angústia, nestas realidade – é o medo de perder o poder ou a dificuldade de nos reeducar-mos para um trabalho em equipe?
Para ACÚRCIO (2004: p. 77), cada vez mais são exigidos dos profissionais da educação, o uso e a aplicação de conhecimentos e de habilidades, como a capacidade de ação e de interação entre pessoas e equipes, de comunicação, de resolução de problemas.
Cabe, portanto, a necessidade de desenvolvermos a paixão pela pesquisa, pelo diferente, pelo inédito, dentro de um mundo tão repetido (igual).
O LÍDER É ATIVO?
Vejamos, manter-se em constante atividade é uma característica da educação, buscar refletir sobre o que lê e o que vê é ou deve ser prática de todo educando, pois conforme NACHMANOVITCH (1993: p. 101) nos acena para a arte que reside em não dar ao leitor(a) informações de mais ou de menos, mas a quantidade suficiente para catalizar a imaginação ativa. A melhor arte não é a que se apresenta numa bandeja de prata, mas a que desperta a capacidade do leitor para a ação.
Pergunta-se à você que está lendo neste momento este artigo, em que bandeja você está servindo os seus conhecimentos, experiências de vida aos seus alunos? Que aspectos contempla o “alimento” que está sendo degustado por esta comunidade? Está levando a uma nova vida ou para somente atender a interesses partidários, interesses pessoais? És portador de um novo amanhã? Em que mesas partilha os seus saberes?
Segundo WERNECK (2000: p. 39), no futuro sobreviverão os criativos; os repetitivos e copiadores serão engolidos pelas inéditas substituições de novas profissões, términos de emprego e adaptação ao imprevisível.
Oxalá que nossas práticas educativas não se tornem um espaço de morte ou “formação robótica”, mas um canteiro de desabrochar de talentos, potencialidades, novas lideranças. A humanidade necessita de Homens e Mulheres comprometidos com as questões ecológicas, humanas (sociais) de seus povos.
Para FREIRE (1998: p. 110), a educação é uma forma de intervenção no mundo. Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço da reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento.
Acredita-se que com isto estaremos sinalizando os nossos papeis de líderes na formação integral de um, povo mais solidário, humano, esperançoso e ousado para novas práticas de economia solidária, educação libertadora e uma sociedade aprendente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ACÚRCIO, Maria Rodrigues Borges. A gestão da Escola. Editora Artmed, Belo Horizonte, 2004.
CURY, Augusto Jorge. Inteligência Multifocal: análise da Construção dos Pensamentos e da formação de pensadores. Editora Pensamento – Cultrix, São Paulo, 1998.
FERNANDES, Maria Nilza de Oliveira. Líder-Educador: Novas formas de Gerenciamento. Editora Vozes, Petrópolis, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 7ª edição. Paz e Terra. São Paulo, 1998.
NACHMANOVITCH, Stephen. Ser criativo: o poder da improvisação na vida e na arte. São Paulo: Summus, 1993.
NÓVOA, António. Formação de Professores e Profissão Docente. In: NÓVOA, António. Os Professores e sua Formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote/Instituto de Inovação Educacional, 1992.
WERNECK, Hamilton. Ousadia de Pensar. Editora DP e A, Rio de Janeiro, 2000.

Um comentário:
Muito legal o teu blog, Alex. Teus textos são de uma lucidez indispensável quando se vive, ensa e fala educação. Um abraço!
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