sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Um fragmento do Livro: Tomorrow's Children

Nutrindo a Humanidade das Crianças

No centro de toda criança há um humano intacto. As crianças têm uma enorme capacidade de amor, alegria, criatividade e cuidado. Crianças têm uma curiosidade voraz, uma sede de entendimento e significados. Crianças também têm um senso inato de justiça e injustiça. Acima de tudo, crianças anseiam por amor e aceitação e, dada meia chance, são capazes de dá-los em abundância em retorno.
No mundo de hoje, de fluxo tecnológico, econômico e social à velocidade da luz, o desenvolvimento dessas capacidades é mais crucial que nunca. As crianças precisam entender e apreciar nosso habitat natural, nossa Mãe Terra. Elas precisam desenvolver sua capacidade inata de amor e amizade, de se importar e tomar conta, de criatividade, de sensibilidade para suas próprias necessidades reais e as de outros.
Numa época em que as mídias em massa são as primeiras professoras das crianças sobre o mundo maior, em que as crianças nos Estados Unidos passam mais tempo vendo televisão do que em qualquer outra atividade, as crianças também precisam entender que muito do que vêem em programas de TV, filmes e videogames é falso. Elas precisam entender que violência apenas gera violência e não resolve nada, que obter bens materiais, mesmo sendo necessário para viver, não é um fim que valha a pena por si só, não importando quantas mensagens comerciais digam o contrário. Elas precisam saber que sofrer é real, que machucar as pessoas tem conseqüências terríveis e freqüentemente por toda a vida, não importam quantos desenhos e videogames façam lesões corporais e brutalidade parecerem normais, excitantes, ou mesmo engraçadas. Elas precisam aprender a distinguir entre estar estarem muito animados e sentir alegria real, entre diversão frenética e prazer real, entre questionamento saudável e indiferença ou cinismo.
Se as crianças de hoje devem encontrar fé com base na realidade, elas precisam de uma nova visão da natureza humana e de nosso lugar no drama da vida revelado nesta Terra. Se elas devem reter sua humanidade essencial, precisam se segurar firme em seus sonhos, em vez de se entregar ao cinismo e egoísmo que hoje em dia são considerados “legais”. Elas precisam de tudo isso para elas mesmas, mas também precisam para seus filhos, para que não se tornem outra geração X, uma geração lutando nesta época incerta para encontrar identidade e propósito, e tudo muito freqüentemente perdido.
Um dos maiores e mais urgentes desafios à frente das crianças de hoje relaciona-se com como eles criarão e educarão as crianças de amanhã. Aí está a verdadeira esperança para o nosso mundo.
Eu acredito ardentemente que se dermos a um número substancial de crianças de hoje a criação e educação que permitam que vivam e trabalhem nas maneiras igualitárias, não violentas, sem distinção de sexo, ambientalmente conscientes, cuidadosas e criativas que caracterizam a parceria em vez das relações dominadoras, elas serão capazes de fazer mudanças suficientes nas crenças e instituições para suportar este meio de se relacionar em todas as esferas da vida. Elas também serão capazes de dar a seus filhos a criação e educação que fazem a diferença entre perceber ou tolher nossos grandes potenciais humanos.
Cuidados e educação no início da infância são críticos, como os psicólogos sabem há tempo. Mas agora esta informação vem a nós com força de relâmpago pela neurociência. Quando um bebê nasce, o cérebro continua a se desenvolver e crescer. No processo, produz trilhões de sinapses, ou conexões entre neurônios. Mas então o cérebro fortalece essas conexões ou sinapses que são usadas, e elimina aquelas que são raramente ou nunca usadas. Sabemos agora que os padrões emocionais e cognitivos estabelecidos durante este processo são radicalmente diferentes dependendo de quanto o ambiente humano e físico da criança é apoiador e cuidadoso ou restritivo e abusivo. Este ambiente determina amplamente fatores críticos, como se somos ou não aventureiros e criativos, se podemos trabalhar com colegas ou somente receber ordens de superiores, e se somos ou não capazes de resolver conflitos sem violência – fatores de importância chave para confrontarmos os desafios da vida, bem como para a economia de informação pós-industrial.
O tipo de cuidado – material, emocional e mental – que a criança recebe, particularmente durante os primeiros três anos de vida, abrirão caminhos neurais que determinarão grandemente tanto nossas capacidades mentais quanto nosso repertório emocional habitual. Cuidados infantis positivos que se baseiam substancialmente em elogios, toques amorosos, afeição e abstenção de violência ou ameaças liberam as substâncias químicas dopamina e serotonina em áreas particulares do cérebro, promovendo estabilidade emocional e saúde mental. (Uma excelente fonte para pais e professores é o filme de Rob Reiner I Am Your Child: The First Years Last Forever – “Eu Sou Seu Filho: Os Primeiros Anos Duram Para Sempre”)
Em contraste, se as crianças são sujeitas a um tratamento negativo, sem cuidados, baseado em medo, vergonha e ameaças ou outras experiências adversas como violência ou abuso sexual, elas desenvolvem respostas apropriadas a esse tipo de ambiente dominador. Elas se tornam tiranas, abusivas e agressivas ou reservadas e cronicamente depressivas, defensivas, hiper-vigilantes e apáticas à sua própria dor bem como a de outros. Freqüentemente essas crianças não têm a capacidade de controle dos impulsos agressivos e de planejamento a longo prazo. Neurologistas descobriram que regiões do córtex cerebral e seu sistema límbico (responsável por emoções, incluindo o apego) são de 20 a 30 por cento menores em crianças que sofreram abuso do que em crianças normais, e que muitas dessas crianças expostas a estresse crônico e imprevisível sofrem déficits em sua capacidade de aprender.
Em resumo, uma criação atenciosa e cuidadosa tem influência direta não apenas no desenvolvimento emocional da criança, mas também no seu desenvolvimento mental, na sua capacidade de aprender tanto na escola quanto durante a sua vida.
A maioria dos pais ama seus filhos. Mas o que faz a diferença é a expressão desse amor através de toques amorosos, abraços, conversas, sorrisos, canto e da resposta carinhosa às necessidades e choros da criança proporcionando conforto, comida, calor e um senso de segurança e autovalorização. Este tipo de cuidado pode ser aprendido, como pode um entendimento dos estágios do desenvolvimento infantil, do que bebês e crianças são capazes ou incapazes de compreender e fazer, e do mal às vezes feito às crianças através da criação “tradicional” baseada em punição.
Daí vem a importância pivotal de ensinar a criação de crianças com parceria, baseada em elogios, toques amorosos, recompensas e sem ameaças. Para resultados otimizados, além de aulas de criação para os adultos, o ensino deste tipo de criação e cuidado deve começar cedo nas nossas escolas, como seria num currículo de parceria. Isto assegurará que as pessoas aprendam sobre isso enquanto ainda são jovens e mais receptivas.
Mas é toda a educação, não somente a educação de crianças pequenas e educação para criação, que deve ser reexaminada e reemoldurada para dar às crianças, adolescentes e, mais tarde, adultos a saúde mental e emocional para viver boas vidas e criar uma boa sociedade. Se mudarmos nosso sistema educacional hoje, ajudaremos as crianças do futuro a florescer. Se prepararmos as crianças de hoje para enfrentarem os desafios sem precedentes que encararão, se os ajudarmos a começar a construir as fundações para uma parceria em vez de um mundo dominador, então as crianças de amanhã terão o potencial para criar uma nova era de evolução humana.
EISLER, Riane. Tomorrow's Children: A Blueprint for Partnership Education for the 21st Century. Cambridge: Westview Press Pages, 2000, 362p. ISBN: 0-8133-9040-0

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS: NÓS, ALUNOS E PROFESSORES, UMA ÓTICA SOBRE MUDANÇAS NO CURRÍCULO OCULTO.

Ensaio
Por Alex-Sandro P. Cardoso

A História como conteúdo, que se aprende a aprender no Ensino Fundamental e Médio, no passado ainda era o reflexo de anos de ditadura, pois os aprendizes eram limitados pelos próprios “mestres” a reproduzir o que eles próprios reproduziam (é claro, não desmerecendo seus méritos, pois não havia a capacidade de discussão), e é por essa imaturidade de meus conhecimentos que, também dizia “estudar para que? É só decorar!”.
Foram tempos distintos na sociedade, pois nos anos oitenta, comportamentos de muitos professores ainda refletiam um difícil período político nacional: o medo misturava-se à vontade de dizer basta; o novo confundia-se com a possibilidade de apenas ser o mesmo, e as ideologias ainda nos encantavam por parecerem soluções imediatas de diversos problemas. Década intranqüila esta, pois turbulências políticas e o desgaste econômico faziam com que o modelo educacional sofresse por ser tratado em segundo plano.
Anos noventa, percebe-se no Ensino Médio bem como na Educação, outra época, outras idéias, novos paradigmas, professores abertos a opiniões, etc.
Os estudos agora estão voltados para conteúdos mais complexos, como as ideologias e as conseqüências, os novos modelos e as novas idéias, ou melhor, novos paradigmas e novos comportamentos. Mas as provas ainda, cobram datas e as respostas precisam ser ao modo do professor, ... “é melhor decorar”, precisa-se passar de ano...! De qualquer forma, os anos passam, no entanto o modelo de cobrar determinados conteúdos ainda são os mesmos, a famosa “decoreba” e o pequeno “macete”, que se prendem a simples reprodução de conteúdos e impossibilitam a reflexão e discussão de temas do cotidiano social.
Contudo no Ensino Superior, talvez por ironia, muitos de nós encontramo-nos cursando História e por seguinte lecionando-a. descobre-se então que aprender faz parte de um complexo e contínuo exercício de reflexão, percebe-se que tudo que se aprendeu, não foi em vão. Nesse contexto, entende-se:
“Hoje desaprendo o que tinha aprendido até ontem e que amanhã recomeçarei a aprender”1.
Qual será a relação entre História ensinada e História requerida, entre o desejo de reflexão estabelecido pelo professor e o desejo de notas do aluno?
Aparentemente, é difícil estabelecer um paralelo entre o que ensinar e como cobrar, pois a História não é palpável, apesar de sabermos que ela ocorreu, torna-se impraticável o uso da mesma com uma ótica atual, por isso o processo de reflexão pelo professor muitas vezes não obtém êxito, pois a cobrança de seu próprio trabalho torna rumos diferenciados como mero processo de memorização de esquemas.
Entretanto, condenar a memorização também é perigoso, pois, precisam-se nortear essas reflexões, cada qual com seus acontecimentos e períodos. Com tal reflexão pode-se afirmar que, enquanto houver o ser humano, haverá história e quanto maior for à dificuldade de aprendê-la, maior será a sua construção, e que seu ensinamento e sua reflexão estará dentro do “círculo da cultura”, na prática do dialogo entre os educadores e educandos, ou seja, entre nós, professores e alunos.
O desafio de ensinar está voltado para a aprendizagem e o ensino de História no Ensino Médio tem, por muitas vezes, de ser aplicado para o vestibular.
“Vestibular... mais uma vez, terei que decorar aprender macetes”... mas agora!, é pior, pois somos os professores-alunos e não mais somente alunos, somos professores de nós mesmos, tentando compreender como entenderemos tais macetes e detalhes... Hum... Vestibular!
Como se não bastasse, os detalhes, macetes ou decorebas, ou seja, as “veias abertas” da educação somam-se isso ao cotidiano, adiciona-se tudo isso a uma sociedade tecnológica, cercada de símbolos e imagens de modo geral: a mídia, a informática, os games, os outdoors, etc.
Estão a todo o momento transmitindo suas mensagens de maneira criativa e conveniente. Para Rivoltela2: “a Escola deve promover a troca de abordagem tradicional, baseada na fala do professor à frente da sala de aula pelo uso de mídias que favoreçam o trabalho em grupo mais ativo, dinâmico e criativo em todas as disciplinas”. Porém, a Escola pouco têm acompanhado esse desenvolvimento iconográfico, o que não atrai o interesse do aluno de forma desejada, já que a dificuldade dos alunos do “terceirão” ou terceiro ano do Ensino Médio em compreender os textos de História tem sido uma constante preocupação por parte dos educandos, que além de preocupar-se com o vestibular tem como objetivo a formação do indivíduo na sociedade.
Pode-se então, observar que os textos de História são muito longos, cansativos e complexos, portanto, dificultam a compreensão e o interesse dos alunos. Identificar as causas pela qual a maioria dos alunos apresenta dificuldades de aprendizagem e reflexão significa buscar inter-relação entre o memorizar e refletir, o aprender e compreender.
Portanto, nós, alunos-professores... que somos, não buscamos a melhor forma de ensinar, não me entendam mal, pois simplesmente entendo que não quero voltar ao passado e apenas apresentar “soluções imediatas de nossos problemas”, como já havia dito o início deste breve comentário! Também não quero propor novas idéias, novos paradigmas (bela, velha e útil palavra), mas apenas tentar entender... Por que ainda hoje ouço: Tenho que decorar?!

1 Cecília Meireles.
2 Rivoltella, Píer Cesare. In Revista Nova Escola: ed. 200, março 2007.

Os Sete Princípios de Leonardo da Vinci

Os Sete Princípios de
Leonardo da Vinci
(Baseado na obra de Michael J. Gelb – Aprenda apensar com Leonardo Da Vinci, Editora Ática)

Leonardo Da Vinci (1452-1519)
Grande mestre da pintura foi, também, arquiteto, botânico, urbanista, cenógrafo e figurinista, cozinheiro inventor, matemático, geógrafo, físico.
Segundo Michael Gelb, ao estudarmos a forma de ser do grande mestre, podemos desenvolver novas formas de auto-expressão e estratégias para pensar criativamente. Para isso sugere 7 princípios: Curiositá, Dimostrazione, Senzasione, Sfumato, Arte/Scienza, Corporalitá, Conessione.
http://www.mos.org/leonardo/index.html

Curiositá
UMA INSACIÁVEL CURIOSIDADE EM RELAÇÃO À VIDA E UMA BUSCA CONTÍNUA DO CONHECIMENTO.
Estou fazendo as perguntas certas?
Todos nós chegamos ao mundo cheio de curiosidade. A curiositá baseia-se no impulso natural, o desejo de aprender mais. Todos o possuímos; o desafio é usá-lo e desenvolvê-lo para o próprio crescimento.
As questões que “ocupam nossos pensamentos” diariamente refletem o objetivo de nossas vidas e influenciam nossa qualidade de vida.
Dicas para desenvolver a Curiositá:

-Manter um diário ou caderno de anotações para registrar insights e questões importantes;
-Reservar um tempo para reflexão e contemplação;
-Estar sempre aprendendo alguma coisa nova;
-Quando tiver que tomar uma decisão importante, examinar a situação de vários ângulos
- Aumentar nossa capacidade de fazer perguntas
- Aprofundar o auto-conhecimento


O Jogo das Cem questões

Em seu caderno faça uma lista com cem questões que são importantes para você. Pode incluir qualquer tipo de questão contanto que seja algo que você julgue importante.
Faça a lista completa de uma só vez. Quando tiver terminado, leia a lista inteira e sublinhe os temas emergentes. Considere os temas sem julgá-los. Eles se referem principalmente a seus relacionamentos? Negócios? Divertimento? Dinheiro? O sentido da vida?
Escolha dez questões e coloque em ordem de prioridade.
Diariamente, procure separar um tempo do seu dia para contemplar e refletir sobre uma das dez questões selecionadas.

Dez questões de peso:

- Quando sou eu mesmo, da forma mais espontânea? Que pessoas, lugares e atividades me permitem ser mais plenamente eu mesmo?
- Que coisa eu poderia parar de fazer, começar a fazer ou fazer de forma diferente, a partir de hoje, que se refletisse de forma mais positiva na minha qualidade de vida?
- Qual o meu maior talento?
- Como posso conseguir ser pago para fazer o que gosto?
Quais são meus modelos mais inspiradores?
- Que fazer para ajudar melhor os outros?
- Qual o meu desejo mais profundo?
- Como me vêem: meu amigo mais íntimo, meu inimigo, meu patrão, meus filhos, meus colegas, etc.?
Dimostrazione
O COMPROMISSO DE SUBMETER O CONHECIMENTO AO TESTE DA EXPERIÊNCIA, DE PERSEVERAR E DE SE DISPOR A APRENDER COM OS PRÓPRIOS ERROS.
Como posso aumentar minha capacidade de aprender com os meus erros e experiências? Como posso desenvolver minha independência de pensamento?
O princípio da dimontrazione é a chave para que você aproveite o máximo a sua experiência.

Dicas para desenvolver a Dimostrazione:

-Analise a experiência: o que posso aprender, mudar, melhorar e evitar numa outra experiência?
- Examine suas opiniões e suas fontes: de onde vieram essas informações e em que elas se baseiam?
-Avalie a sua opinião de pelo menos três pontos de vista diferentes;
-Quais são as mensagens que estão por trás das propagandas
-Aprenda como os erros e com as dificuldades;
-Aprenda com modelos que “devem” e que “não devem” ser seguidos.

Aprendendo com os erros:
Analise sua atitude para com os erros, refletindo sobre as seguintes questões e anotando suas reflexões no seu caderno:
- O que você aprendeu na escola sobre os seus erros?
- O que os seus pais lhe ensinaram sobre cometer erros?
- Qual foi o maior erro que você já cometeu?
- Que erros você costuma repetir?
- Que influência o medo de cometer erros tem em sua vida diária, no trabalho ou em casa?
- Os erros que você costuma cometer são mais de ação ou omissão?
- O que eu faria de diferente se não tivesse medo de cometer erros?
Sensazione
O CONTÍNUO APERFEIÇOAMENTO DOS SENTIDOS, PRINCIPALMENTE DA VISÃO, COMO MEIO DE TORNAR A EXPERIÊNCIA MAIS VÍVIDA.
Quais são meus planos para apurar os meus sentidos à medida que envelheço?
Visão, audição, tato, paladar e olfato são os elementos chaves que abrem a porta para a experiência. Da Vinci acreditava que os segredos da Dimostrazione se revelam através dos sentidos, especialmente a visão.

Dicas para desenvolver a Sensazione através da Visão:

-Aprenda a focalizar perto e longe;
-Estude a vida e a obra de seus artistas favoritos;
- Aproveite as exposições de arte e perceba o impressiona em cada obra
- Pratique a “especulação sutil”: a capacidade de visualizar um resultado desejado;
- Aprenda a desenhar;
Dicas para desenvolver a Sensazione através da Audição:

-Aprenda a ouvir em vários níveis;
- Ouça o silêncio;
- Estude a vida e a obra de seus compositores prediletos;
-Conheça os principais movimentos da música ocidental, ou do seu país, região, estado, município, etc...
-Orquestre sua vida.

Dicas para desenvolver a Sensazione através do Olfato:

-Amplie seu vocabulário para descrever a experiência aromática: florais, mentolados, almiscarados, delicados, resina, pútridos e acres.
Observe como os diferentes cheiros influenciam ou interferem nas suas emoções ou nas usa lembranças;
Estude aromaterapia;
-Faça dos “cheiros” o tema do dia.

Dicas para desenvolver a Sensazione através do Paladar:
Procure saborear os alimentos durante as refeições;
Desenvolva o paladar comparativo;
Aprenda a fazer novas receitas;
Experimente novas receitas quando tiver oportunidade.

Dicas para desenvolver a Sensazione através do Tato:
Toque a natureza e perceba as diferentes texturas;
Experimente diferentes tipos toques e perceba como influenciam ou interferem nas suas emoções ou nas suas lembranças;
Aprenda a tocar com os olhos fechados;
Aprenda novas habilidades com o tato, como aprender massagem, tocar um instrumento, etc.

Dicas para desenvolver a Sensazione através da Sinestesia:
Desenvolva a habilidade de desenhar a música e as emoções;
Aprenda a usar o som para representar cortes e emoções;
Procure resolver problemas de forma sinestésica;
Crie para você um ambiente que promova a criatividade, aconchego, paz, etc.
A dinâmica dos cinco sentidos

Sfumato
DISPOSIÇÃO PARA ACEITAR A AMBIGUIDADE, O PARADOXO E A INCERTEZA.
Como posso aumentar minha capacidade de suportar a tensão criativa e de aceitar os grandes paradoxos da vida?

Quando despertamos a capacidade de curiositá, sondamos as profundezas da experiência e apuramos nossos sentidos
, e então vemo-nos diante do desconhecido. Mantermos a mente aberta em face da incerteza é um caminho para libertar o nosso potencial criativo. O princípio do sfumato é a chave para manter essa abertura mental. A palavra sfumato significa “esfumado”, “desfeito em fumaça” ou simplesmente “esfumaçado” . Os críticos de arte usam esse termo para descrever o efeito produzido, por Da Vinci em suas pinturas, através da laboriosa aplicação de muitas camadas leves e finas de tinta.
Dicas para desenvolver o Sfumato:

Observe as situações em que apresentam incertezas e veja quais são as emoções presentes;
Identifique momentos em que tem que lidar com a ambigüidade: alegria e tristeza, força e fraqueza, bem e mal, feio e bonito, vida e morte, etc. Observe como você costuma reagir a esses momentos;

- Aprenda a fazer pausas durante o trabalho para relaxar;

Aprenda a dar mais atenção aos pressentimentos e intuições do seu cotidiano.

Arte/Scienza
O DESENVOLVIMENTO DO EQUILÍBRIO ENTRE CIÊNCIA E ARTE, LÓGICA E IMAGINAÇÃO. PENSAR COM O “CÉREBRO TODO”.
Estou conseguindo um equilíbrio entre arte e scienza em casa e no trabalho?
Este princípio baseia-se em se desenvolver o dois hemisférios cerebrais, o direito está relacionado ao pensamento imaginativo, atividades artísticas e intuição o esquerdo está realcionado ao pensamento lógico e analítico.
Segundo Roger Sperry, “nosso sistema educacional, assim como a ciência em geral, tende a negligenciar o intelecto de natureza não verbal. O que acontece é que a sociedade moderna tem preconceito contra o hemisfério direito”. O resultado é que indivíduos nos quais o hemisfério esquerdo é predominante tendem a ir bem na escola mas em geral não conseguem desenvolver sua capacidade criativa, enquanto os indivíduos com o hemisfério direito predominante em geral sentem-se culpados pela foram como pensam e muitas vezes são taxados erroneamente de “incapazes de aprender”.

Dicas para desenvolver Arte/Scienza:
- Desenvolver atividades que desenvolvam os dois hemisférios cerebrais;
Estimule o seu espírito inventivo;
Aprenda a construir mapas mentais (ilustrações para representação do conhecimento).
Mapa Mental do Renascimento

Corporalità
O CULTIVO DA GRAÇA, DA AMBIDESTRIA, DA BOA FORMA E DO EQUILÍBRIO.
Como posso manter o equilíbrio entre corpo e mente?
Corporalitá baseia-se no princípio que devemos assumir responsabilidade por nossa saúde e bem- estar, a partir de exercícios físicos, alimentação saudável e descanso.


Dicas para desenvolver Corporalitá:
Desenvolva um programa para manter a forma;
Desenvolva sua consciência corporal através de observação e estudo da anatomia;
Reaprenda a boa postura;
Aprenda a se olhar no espelho e gostar de você.

Connessione

RECONHECIMENTO E APRECIAÇÃO DA INTER-RELAÇÃO DE TODAS AS COISAS E FENÔMENOS. PENSAR EM TERMOS DE SISTEMAS.
Como todos os elementos acima se harmonizam? Como tudo se relaciona com tudo?
Dicas para desenvolver Connessione:
Aprenda a refletir sobre a totalidade;
Busque observar a dinâmica dos sistemas a partir da observação: do corpo humano, da família, do sistema educacional, da cidade, etc.;
Reflita sobre a origem das coisas e como os elementos estão relacionados para a sua criação.

sábado, 6 de setembro de 2008

Um Pouco de Freire Nunca Faz Mal!

Aprendizagem segundo Paulo Freire


Segundo Paulo Freire, “os alunos são construtores. E se eles constroem, eles o fazem motivados pelo impulso mais profundo da alma humana que é o impulso para o prazer e para a alegria. Os saberes têm de estar a serviço da felicidade. É preciso descobrir o paraíso”.

Para ele a alfabetização deve ser pensada como instrumento de transformação social. O analfabetismo tem sua origem muito mais numa situação histórica de exploração e opressão do que oriundo de carências pessoais que incapacitam certos grupos sociais de aprender.

Toda teoria pedagógica é subjacente a um conceito de homem e de mundo. Não há, portanto, uma educação neutra.

É o homem um ser de adaptação no mundo? Ou é o homem um ser de transformação do mundo?

Para Paulo Freire o homem é um ser no mundo e com o mundo. Um ser que opera e transforma o mundo. E quando essa sua vocação ontológica lhe é negada, ele se torna um homem –objeto.

O conceito de Educação Bancária é o contraponto da Educação Humanista ou da Educação como prática de liberdade.

A característica dessa concepção é a narração e a dissertação. A realidade é vista como algo estático.

Esta concepção reflete a sociedade opressora e a cultura do silêncio.

A Concepção Humanista é a negação da Bancária. Ela é problematizadora e libertadora. Ela se orienta com o objetivo de respeitar a vocação ontológica do homem: um ser de transformação do mundo.

Só a Concepção Libertadora realiza a superação da contradição educador/educando. Não é mais o educador sempre o que educa e o educando o que aprende. Agora não há mais um educador do educando ou um educando do educador.

Mas como se dará essa educação? Somente através do diálogo. Seria preciso a modificação do conteúdo programático e a forma pela qual ele é determinado.

O diálogo é uma relação de comunicação que gera a crítica e a problematização. É uma relação horizontal, ao contrário do anti-diálogo nascido das relações verticais em que um fala e o outro ouve.

A palavra deve ser analisada como mais do que um meio para que o diálogo se faça. As duas dimensões constitutivas da palavra devem ser: a ação e a reflexão. A palavra verdadeira é a práxis transformadora. A ação desconectada da reflexão nega o diálogo.

A leitura do mundo, portanto, precede a leitura e a escrita da palavra. O que conclui: escrever o mundo é transformá-lo.

China em Foco: Entenda os Impactos da Olimpiadas

ENTREVISTA PÚBLICADA NA REVISTA ITS (JULHO/2008)
http://www.portalits.com.br/_site/

(Its) O que os vestibulandos devem focar ao estudar sobre a China para provas como a da UFSC?
(Prof. Alex) Por se tratar de um vestibular para ingresso em uma Universidade Pública e de renome como é o caso da UFSC eu diria que “tudo”, pois vestibulando deve sempre priorizar a leitura, prática de exercícios e busca de boas informações. Porém, pode-se facilitar um pouco, dando ênfase no estudo do “histórico” chinês pelo menos a partir de Mao Tsé Tung até os dias atuais, suas relações “industriais e comerciais” com o Ocidente, na geografia física (principalmente na hidrografia), na contribuição chinesa para a degradação do “meio ambiente” e em sua “demografia”.

(Its) Quais os impactos, bons e ruins, que as Olimpíadas devem ter no país?
(Prof. Alex) A “Olimpíada de Beijing” está sendo utilizada pelo governo Chinês para promover sua propaganda mostrando ao Mundo a eficiência, organização e dedicação do povo e do poder político chinês. Quanto aos impactos bons talvez o mais relevante de todos seja a capitação de recursos de investimentos externos por parte do governo que aprendeu ser capitalista sem propor abertura política, com recursos capitados à China aproveita para aliviar os altos custos de seu sistema, como é o caso da dívida pública que é alavancada pelas 140 mil empresas estatais que operam no vermelho.
Os impactos ruins estão associados a crescente necessidade de investimentos na indústria, construção civil, aumentando o consumo de matéria-prima para acelerar a conclusão das obras. Como exemplo, relaciono alguns dados: Cerca de 30% do território chinês sofre com a chuva ácida, 80% dos recursos hídricos estão em estado deplorável de poluição, são grandes consumidores de minerais metálicos e atualmente já ocupam a segunda posição no ranking de emissão de CO2 mundial.

(Its) Qual deve ser o resultado prático de manifestações como as que aconteceram em favor do Tibete?
(Prof. Alex) Bom, para os tibetanos creio que nenhum, pois o governo chinês não mostra nenhum interesse ou vontade de dialogar um possível acordo que reconheça autonomia ao território do Tibete. Quanto aos organismos internacionais dependendo da necessidade ou pretensão de cada um, pode haver ou se propor uma pressão no campo diplomático para que o governo chinês “afrouxe” um pouco a corda. Porém, não podemos ser tão ingênuos a ponto de imaginar que as nações façam realmente pressão sobre o sistema ditatorial chinês, pois o que realmente interessa para Governos e Empresas são os capitais e lucros que a China os oferta, se assim fosse deveríamos também protestar em favor dos Chechenos, Palestinos, Curdos, Sudaneses e porque não citar nossos Índios e, quem sabe, esperar por “resultados” mais significativos.

(Its) Até que ponto o crescimento econômico vai forçar e acelerar uma abertura política? O governo está assumindo o risco de perder controle?
(Prof. Alex) Nesse caso, o antigo governante Deng Xiaoping (1904 – 1997) que assumiu o poder após a morte de Mao Tsé tung (1893 – 1976) fora realmente inteligente, pois criou uma verdadeira máquina de fazer capital chamada ZEEs (Zonas Econômicas Especiais) e as colocou geograficamente nas áreas litorâneas buscando efetivar a parceria do comunismo com o capitalismo. As ZEEs solidificaram os fundamentos do “socialismo de mercado” e o atual governante Hu Jintao, considerado modernizador, facilita estrategicamente a entrada de empresas internacionais nessas áreas, mas com uma condição, elas devem associar-se a um parceiro local, formando uma Joint Venture, com essa prática a China não expressa vontade de promover abertura política, também reduz o risco de perder o controle e se consolida como um “país-fábrica”.
(Its) O país tem muitas pessoas em péssimas condições de trabalho. Quais os outros poréns do super crescimento econômico chinês?

(Prof. Alex) Recentemente, foram aprovadas reformas nas leis trabalhistas, pois havia inúmeras acusações de escravidão no país, essas reformas visam melhorar um pouco as condições de trabalho de seu povo. Entretanto, as grandes diferenças estão na divisão campo-cidade. O campo chinês ainda é um lugar incomum, a precariedade de vida no meio rural está fazendo com que ocorra uma forte migração de chineses para as cidades provocando consequentemente inchaço urbano, déficit habitacional, comprometimento da produção de alimento, aumento da desigualdade social gerando concentração de renda explosão da pobreza.


Prof. Alex-Sandro P. Cardoso,
é Mestre em Educação e professor de Especialização da rede CENSUPEG, professor de Geografia do Ensino Médio e de Curso Pré-Vestibular da rede Bom Jesus Franciscano e Energia.