quarta-feira, 17 de setembro de 2008

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS: NÓS, ALUNOS E PROFESSORES, UMA ÓTICA SOBRE MUDANÇAS NO CURRÍCULO OCULTO.

Ensaio
Por Alex-Sandro P. Cardoso

A História como conteúdo, que se aprende a aprender no Ensino Fundamental e Médio, no passado ainda era o reflexo de anos de ditadura, pois os aprendizes eram limitados pelos próprios “mestres” a reproduzir o que eles próprios reproduziam (é claro, não desmerecendo seus méritos, pois não havia a capacidade de discussão), e é por essa imaturidade de meus conhecimentos que, também dizia “estudar para que? É só decorar!”.
Foram tempos distintos na sociedade, pois nos anos oitenta, comportamentos de muitos professores ainda refletiam um difícil período político nacional: o medo misturava-se à vontade de dizer basta; o novo confundia-se com a possibilidade de apenas ser o mesmo, e as ideologias ainda nos encantavam por parecerem soluções imediatas de diversos problemas. Década intranqüila esta, pois turbulências políticas e o desgaste econômico faziam com que o modelo educacional sofresse por ser tratado em segundo plano.
Anos noventa, percebe-se no Ensino Médio bem como na Educação, outra época, outras idéias, novos paradigmas, professores abertos a opiniões, etc.
Os estudos agora estão voltados para conteúdos mais complexos, como as ideologias e as conseqüências, os novos modelos e as novas idéias, ou melhor, novos paradigmas e novos comportamentos. Mas as provas ainda, cobram datas e as respostas precisam ser ao modo do professor, ... “é melhor decorar”, precisa-se passar de ano...! De qualquer forma, os anos passam, no entanto o modelo de cobrar determinados conteúdos ainda são os mesmos, a famosa “decoreba” e o pequeno “macete”, que se prendem a simples reprodução de conteúdos e impossibilitam a reflexão e discussão de temas do cotidiano social.
Contudo no Ensino Superior, talvez por ironia, muitos de nós encontramo-nos cursando História e por seguinte lecionando-a. descobre-se então que aprender faz parte de um complexo e contínuo exercício de reflexão, percebe-se que tudo que se aprendeu, não foi em vão. Nesse contexto, entende-se:
“Hoje desaprendo o que tinha aprendido até ontem e que amanhã recomeçarei a aprender”1.
Qual será a relação entre História ensinada e História requerida, entre o desejo de reflexão estabelecido pelo professor e o desejo de notas do aluno?
Aparentemente, é difícil estabelecer um paralelo entre o que ensinar e como cobrar, pois a História não é palpável, apesar de sabermos que ela ocorreu, torna-se impraticável o uso da mesma com uma ótica atual, por isso o processo de reflexão pelo professor muitas vezes não obtém êxito, pois a cobrança de seu próprio trabalho torna rumos diferenciados como mero processo de memorização de esquemas.
Entretanto, condenar a memorização também é perigoso, pois, precisam-se nortear essas reflexões, cada qual com seus acontecimentos e períodos. Com tal reflexão pode-se afirmar que, enquanto houver o ser humano, haverá história e quanto maior for à dificuldade de aprendê-la, maior será a sua construção, e que seu ensinamento e sua reflexão estará dentro do “círculo da cultura”, na prática do dialogo entre os educadores e educandos, ou seja, entre nós, professores e alunos.
O desafio de ensinar está voltado para a aprendizagem e o ensino de História no Ensino Médio tem, por muitas vezes, de ser aplicado para o vestibular.
“Vestibular... mais uma vez, terei que decorar aprender macetes”... mas agora!, é pior, pois somos os professores-alunos e não mais somente alunos, somos professores de nós mesmos, tentando compreender como entenderemos tais macetes e detalhes... Hum... Vestibular!
Como se não bastasse, os detalhes, macetes ou decorebas, ou seja, as “veias abertas” da educação somam-se isso ao cotidiano, adiciona-se tudo isso a uma sociedade tecnológica, cercada de símbolos e imagens de modo geral: a mídia, a informática, os games, os outdoors, etc.
Estão a todo o momento transmitindo suas mensagens de maneira criativa e conveniente. Para Rivoltela2: “a Escola deve promover a troca de abordagem tradicional, baseada na fala do professor à frente da sala de aula pelo uso de mídias que favoreçam o trabalho em grupo mais ativo, dinâmico e criativo em todas as disciplinas”. Porém, a Escola pouco têm acompanhado esse desenvolvimento iconográfico, o que não atrai o interesse do aluno de forma desejada, já que a dificuldade dos alunos do “terceirão” ou terceiro ano do Ensino Médio em compreender os textos de História tem sido uma constante preocupação por parte dos educandos, que além de preocupar-se com o vestibular tem como objetivo a formação do indivíduo na sociedade.
Pode-se então, observar que os textos de História são muito longos, cansativos e complexos, portanto, dificultam a compreensão e o interesse dos alunos. Identificar as causas pela qual a maioria dos alunos apresenta dificuldades de aprendizagem e reflexão significa buscar inter-relação entre o memorizar e refletir, o aprender e compreender.
Portanto, nós, alunos-professores... que somos, não buscamos a melhor forma de ensinar, não me entendam mal, pois simplesmente entendo que não quero voltar ao passado e apenas apresentar “soluções imediatas de nossos problemas”, como já havia dito o início deste breve comentário! Também não quero propor novas idéias, novos paradigmas (bela, velha e útil palavra), mas apenas tentar entender... Por que ainda hoje ouço: Tenho que decorar?!

1 Cecília Meireles.
2 Rivoltella, Píer Cesare. In Revista Nova Escola: ed. 200, março 2007.

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