sábado, 6 de setembro de 2008

China em Foco: Entenda os Impactos da Olimpiadas

ENTREVISTA PÚBLICADA NA REVISTA ITS (JULHO/2008)
http://www.portalits.com.br/_site/

(Its) O que os vestibulandos devem focar ao estudar sobre a China para provas como a da UFSC?
(Prof. Alex) Por se tratar de um vestibular para ingresso em uma Universidade Pública e de renome como é o caso da UFSC eu diria que “tudo”, pois vestibulando deve sempre priorizar a leitura, prática de exercícios e busca de boas informações. Porém, pode-se facilitar um pouco, dando ênfase no estudo do “histórico” chinês pelo menos a partir de Mao Tsé Tung até os dias atuais, suas relações “industriais e comerciais” com o Ocidente, na geografia física (principalmente na hidrografia), na contribuição chinesa para a degradação do “meio ambiente” e em sua “demografia”.

(Its) Quais os impactos, bons e ruins, que as Olimpíadas devem ter no país?
(Prof. Alex) A “Olimpíada de Beijing” está sendo utilizada pelo governo Chinês para promover sua propaganda mostrando ao Mundo a eficiência, organização e dedicação do povo e do poder político chinês. Quanto aos impactos bons talvez o mais relevante de todos seja a capitação de recursos de investimentos externos por parte do governo que aprendeu ser capitalista sem propor abertura política, com recursos capitados à China aproveita para aliviar os altos custos de seu sistema, como é o caso da dívida pública que é alavancada pelas 140 mil empresas estatais que operam no vermelho.
Os impactos ruins estão associados a crescente necessidade de investimentos na indústria, construção civil, aumentando o consumo de matéria-prima para acelerar a conclusão das obras. Como exemplo, relaciono alguns dados: Cerca de 30% do território chinês sofre com a chuva ácida, 80% dos recursos hídricos estão em estado deplorável de poluição, são grandes consumidores de minerais metálicos e atualmente já ocupam a segunda posição no ranking de emissão de CO2 mundial.

(Its) Qual deve ser o resultado prático de manifestações como as que aconteceram em favor do Tibete?
(Prof. Alex) Bom, para os tibetanos creio que nenhum, pois o governo chinês não mostra nenhum interesse ou vontade de dialogar um possível acordo que reconheça autonomia ao território do Tibete. Quanto aos organismos internacionais dependendo da necessidade ou pretensão de cada um, pode haver ou se propor uma pressão no campo diplomático para que o governo chinês “afrouxe” um pouco a corda. Porém, não podemos ser tão ingênuos a ponto de imaginar que as nações façam realmente pressão sobre o sistema ditatorial chinês, pois o que realmente interessa para Governos e Empresas são os capitais e lucros que a China os oferta, se assim fosse deveríamos também protestar em favor dos Chechenos, Palestinos, Curdos, Sudaneses e porque não citar nossos Índios e, quem sabe, esperar por “resultados” mais significativos.

(Its) Até que ponto o crescimento econômico vai forçar e acelerar uma abertura política? O governo está assumindo o risco de perder controle?
(Prof. Alex) Nesse caso, o antigo governante Deng Xiaoping (1904 – 1997) que assumiu o poder após a morte de Mao Tsé tung (1893 – 1976) fora realmente inteligente, pois criou uma verdadeira máquina de fazer capital chamada ZEEs (Zonas Econômicas Especiais) e as colocou geograficamente nas áreas litorâneas buscando efetivar a parceria do comunismo com o capitalismo. As ZEEs solidificaram os fundamentos do “socialismo de mercado” e o atual governante Hu Jintao, considerado modernizador, facilita estrategicamente a entrada de empresas internacionais nessas áreas, mas com uma condição, elas devem associar-se a um parceiro local, formando uma Joint Venture, com essa prática a China não expressa vontade de promover abertura política, também reduz o risco de perder o controle e se consolida como um “país-fábrica”.
(Its) O país tem muitas pessoas em péssimas condições de trabalho. Quais os outros poréns do super crescimento econômico chinês?

(Prof. Alex) Recentemente, foram aprovadas reformas nas leis trabalhistas, pois havia inúmeras acusações de escravidão no país, essas reformas visam melhorar um pouco as condições de trabalho de seu povo. Entretanto, as grandes diferenças estão na divisão campo-cidade. O campo chinês ainda é um lugar incomum, a precariedade de vida no meio rural está fazendo com que ocorra uma forte migração de chineses para as cidades provocando consequentemente inchaço urbano, déficit habitacional, comprometimento da produção de alimento, aumento da desigualdade social gerando concentração de renda explosão da pobreza.


Prof. Alex-Sandro P. Cardoso,
é Mestre em Educação e professor de Especialização da rede CENSUPEG, professor de Geografia do Ensino Médio e de Curso Pré-Vestibular da rede Bom Jesus Franciscano e Energia.

2 comentários:

Lucas Herzer disse...

Muito boa sua entrevista.
Gostei.

Emilly disse...

Muito importante o tema abordado, instiga os vestibulandos a ler mais a respeito.